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The Sound - From The Lions Mouth review (CDNET 17-3-2003)

date: Mar 17, 2003


 

THE SOUND - From the Lions Mouth

Muitos dizem que o melhor do punk foi o que se lhe seguiu. Não que isso possa ser encarado como uma verdade absoluta, porque no final de contas o punk enquanto fenameno a escala global sempre soube rasgar mais (e mais variados) horizontes. Sinal dos tempos que correm (ou não), muitas das bandas pas-punk de finais de 70 e inacios de 80 começam a ganhar visibilidade, especialmente as que sempre tiveram problemas de relacionamento com o público. Não que Joy Division, Echo & The Bunnymen, Psychadelic Furs ou Modern Eon não tenham tido, mas sempre conseguiram criar cultos amplos (que se extendem até hoje) a sua volta. Os The Sound também os tinham, mas nunca conseguiram atingir o tal big break que, por exemplo, a banda de Ian Curtis e companheiros conheceu. Tivesse a sua música sido reconhecida, e a fatal depressão que se lançou sobre Andrian Borland (1957-1999) nunca teria existido. Quando a Renascent Records anunciou a reedição da obra do grupo, uma réstia de luminosidade atingiu o carismático vocalista (e co-autor de todos os temas deste “From the Lion’s Mouth”), mas não foi suficiente para o resgatar de uma perda anunciada.

Formados em 1979 no Sul de Londres e herdeiros de uma outra banda chamada The Outsiders (da qual Andrian Borland fazia parte), os The Sound contavam na sua formação original com o ja¡ mencionado Adrian Borland, Graham Green, Michael Dudley e Bi Marshall. Em 1980 o grupo estrear-se-ia com “Jeopardy”, num disco marcante, embora ainda longe do patamar que o a¡lbum posterior os havia de levar.

Depois do debutante disco de longa duração, os The Sound voltavam em 1981 com aquele que merecera¡, de toda a discografia do grupo, o maior destaque. “From the Lion’s Mouth” é um disco onde um certo cenário obscuro do sofrimento e de dor impera, mas que serve na perfeição um certo bula­cio de ânsia e revolta. A produção de Hugh Jones é peça-chave nesse complexo som, e ao mostrar uma composição salida (embora datada) levava a banda a uma grandiosidade praxima do épico. O som era forte, e o baixo assumia um inesperado papel de destaque. A música crua e instrumentalmente pouco complexa mostrou ao mundo (sera¡ que mostrou mesmo?) canções tocantes e entusiasmantes como “Silent Air” ou “Winning”.

E para mostrar que não estamos a exagerar, aqui fica um excerto de um texto de Raquel Pinheiro muito elucidativo: From the Lion’s Mouth é um clássico absoluto. De “Winning”, a canção de abertura, a “New Dark Age”, estamos perante um álbum intenso, penetrante, sombrio, mas também grandioso, maior que a vida.

Tiago Gonçalves



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